“TORNAM-SE-LHE MANIFESTOS OS SEGREDOS DO CORAÇÃO”
“Tornam-se-lhe
manifestos os segredos do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra,
adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós” (1Co 14.25).
Quando o apóstolo Paulo
diz no versículo 24 que o incrédulo é por
todos convencido e por todos julgado, devemos entendê-lo como a falar por
todos os que profetizam, pois havia dito no início do versículo: “se todos
profetizarem”. Ele fez uso proposital do termo “todos” a fim de demovê-los de seu
menosprezo em relação à profecia. O incrédulo é convencido, afirmo, não porque
a profecia pronuncia juízo sobre ele, seja em sua opinião secreta, não
expressa, ou no que ele realmente diz em termos explícitos, mas porque, ao ouvir
sua consciência aceita seu próprio julgamento através do que é ensinado. Ele é
julgado porque desce às profundezas do seu próprio ser e, após examinar-se,
chega a uma avaliação do que ele realmente é, este conhecimento que lhe fora
negado antes. Há uma palavra de Cristo que constitui a mesma ideia: “Quando ele
[o Espírito Santo] vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”
(Jo.16.8). Logo a seguir Paulo adiciona: “Os segredos de seu coração se farão
manifestos”. Pois, em minha opinião, Paulo não quer dizer que não é evidente a
alguém que tipo de pessoa ele é, senão que sua consciência é despertada para
que ele conheça seus pecados, os quais lhe estiveram ocultos até então.
Pois é o conhecimento
de Deus, e nada mais, o que pode reduzir o orgulho da carne. A profecia leva
isso a suceder-nos. Por sua própria natureza, ela é peculiarmente eficaz para
derribar os homens de seus pináculos e fazê-los prostrar-se em adoração diante
de Deus. Todavia, mesmo a profecia é de nenhum valor para muitos; na verdade,
ao ouvi-la, se tornam piores ainda. Demais, ao atribuir este poder à profecia,
Paulo não pretendia inferir que ela é invariavelmente operante. Queria
simplesmente realçar que dela advém grande benefício e qual a natureza de sua
função. Portanto, deixa-se entrever que ela força os incrédulos a confessar que
Deus está presente com o seu povo, e sua majestade é refletida em sua reunião.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
Nenhum comentário:
Postar um comentário