"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



sexta-feira, 6 de março de 2020

“O Vingador da Perversidade”

“O Vingador da Perversidade”
“Pois tu não és Deus que tem prazer na iniquidade, e contigo não habita o mal. Os insensatos não permanecerão em tua presença; tu odeias a tantos quantos cometem iniquidade. Tu destróis os que falam falsidade; o SENHOR abominará o sanguinário e o fraudulento”(Sl 5.4-6).

Aqui, Davi toma a malícia e a perversidade de seus inimigos como argumento para corroborar sua oração na qual busca o favor divino para sua proteção. A linguagem é deveras abrupta, como os santos em oração às vezes gaguejam; mas tal gagueira é mais aceitável aos olhos de Deus do que todas as figuras de retórica, embora sejam por demais refinadas e brilhantes. Além disso, o grande propósito que Davi tem em vista é mostrar que, embora a crueldade e traição de seus inimigos houvera alcançado seu ponto máximo, era impossível que Deus não os detivesse logo em seu caminho. Sua ponderação tem por base a natureza de Deus. Já que a justiça e o comportamento reto são o seu prazer, Davi, à luz desse fato, conclui que Deus tomará vingança de todos os injustos e perversos. E como seria possível que escapassem de suas mãos impunemente sendo ele o Juiz do mundo? Esta passagem é digna de nossa mais especial atenção. Pois temos experiência de quão intensamente somos desencorajados pela desmedida insolência dos perversos. Se Deus não a refreasse imediatamente, ou éramos entorpecidos e desanimados, ou lançados em total desespero. Davi, porém, à luz desse fato, antes encontra razão para ânimo e confiança. Quanto maior era a ilegalidade com que seus inimigos agiam contra ele, mais intensamente ele suplica pela preservação provinda de Deus, cuja função é destruir todos os perversos, porquanto ele odeia toda e qualquer perversidade.

Que todos os santos, pois, aprendam quão amiúde têm que combater a violência, a fraude, a injustiça, elevando seus pensamentos a Deus a fim de se animarem com a inabalável esperança de livramento, segundo também Paulo os exorta em 2Tessalonicenses 1.5: “sinal evidente”, diz ele, “do reto juízo de Deus, para que sejais considerados dignos do reino de Deus, pelo qual, com efeito, estais sofrendo”. E seguramente não seria ele o juiz do mundo se não houvera guardado consigo em depósito uma retribuição destinada a todos os ímpios. O único uso, pois, que se pode fazer desta doutrina é o seguinte: ao vermos os perversos entregando-se às suas luxúrias, e, consequentemente, ao duvidarmos secretamente em nossas mentes se é verdade que Deus cuida de nós, aprendamos a satisfazer-nos com a consideração de que Deus, que odeia e abomina toda iniquidade, não permitirá que eles escapem à punição; e embora os tolere por algum tempo, finalmente se assentará em seu tribunal e revelará sua vingança e que ele é o protetor e defensor de seu povo. Ainda podemos inferir desta passagem a doutrina comum de que Deus, embora opere pela instrumentalidade de Satanás e dos ímpios, e faz uso da malícia deles para a execução de seus juízos, nem por isso é ele Autor do pecado, nem tem nele prazer, porquanto o fim que ele propõe é sempre justo; e com razão condena e pune aos que, por sua misteriosa providência, são dirigidos por onde quer que lhe apraz.

No quarto versículo, Davi declara que não há acordo entre Deus e a injustiça. Imediatamente a seguir ele prossegue falando dos próprios homens, dizendo: os insensatos não permanecerão em tua presença; e esta é uma inferência muito justa, ou seja, que a iniquidade é algo odioso a Deus, e que, portanto, ele executará justo castigo sobre todos os perversos. Ele os chama de insensatos, segundo um uso frequente do termo na Escritura, os quais, impelidos por cega paixão, mergulham de cabeça no pecado. Nada é mais insensato do que para o ímpio rejeitar o temor de Deus e nutrir o desejo de fazer da injúria seu princípio diretor; sim, não há pior loucura do que desprezar a Deus sem a influência de quem os homens pervertem todo o direito. Davi põe esta verdade diante de seus olhos para seu próprio conforto; nós, porém, podemos também extrair dela doutrina muito útil para exercitar-nos no temor de Deus; pois o Espírito Santo, ao declarar Deus como o vingador da perversidade, nos põe um freio para reprimir-nos de vivermos em pecado, na vã esperança de escaparmos impunemente.

João Calvino (1509-1564).

*Comentário do Livro dos Salmos, Edições Paracletos.

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Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.
(41)3242-8375

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Deus é Bom e Misericordioso

Deus é Bom e Misericordioso
“Porque o SENHOR é bom, a sua misericórdia dura para sempre” (Sl 100.6).

Devemos louvar a Deus pelo que Ele é em si mesmo. Deus é essencialmente bom e misericordioso. Na criatura, a bondade e a misericórdia são qualidades comunicadas; em Deus são próprias de sua essência. “Porque o SENHOR é bom, a sua misericórdia dura para sempre” (Sl 100.6).

Um fruto da bondade de Deus é a sua misericórdia, que é a sua pronta inclinação em aliviar as misérias das criaturas caídas. “Pela manhã louvarei com alegria a tua misericórdia; pois tu me tens sido alto refúgio e proteção no dia da minha angústia” (Sl 59.16). 

Em geral, Deus tem demostrado o quanto ele é bom e misericordioso em suas ações para com os filhos dos homens, socorrendo-os, apesar dos seus pecados. “Ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5.45).

Aos seus eleitos, aos firmados em Cristo Jesus, por aliança eterna, Deus comunica bênçãos especiais. “Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim” (Jr 32.40).

Quanto aos incrédulos, as ações benevolentes de Deus estão limitadas a presente vida. Não haverá misericórdia estendida além-túmulo para os ímpios (Ap 21.8). Mas Deus nunca deixará de ser bom e misericordioso. Os seus atributos são eternos. “Lembra-te, SENHOR, das tuas misericórdias e das tuas bondades, que são desde a eternidade. Todas as veredas do SENHOR são misericórdia e verdade para os que guardam a sua aliança e os seus testemunhos” (Sl 25.6,10).

Deus nos abençoe!

Pr. José Rodrigues Filho

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

“Ó SENHOR, levanta sobre nós a Luz do Teu Rosto”

“Ó SENHOR, levanta sobre nós a Luz do Teu Rosto”
“Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem? Ó SENHOR, levanta sobre nós a luz do teu semblante. Deste mais alegria ao meu coração do que a que eles têm quando seu cereal e seu vinho aumentam” (Sl 4.6,7).

Esta passagem bíblica nos ensina que são miseráveis os que, plenamente resolutos, não repousam totalmente em Deus, e não ficam satisfeitos mesmo quando possuem exuberante fartura de todas as coisas terrenas; enquanto que, em contrapartida, os fiéis, embora se vejam agitados em meio às muitas tribulações, são realmente felizes, mesmo não contando com nenhuma outra razão para isso, a não ser o fato de o semblante paternal de Deus brilhar sobre eles, o qual converte suas trevas em luz e, por assim dizer, vivifica a própria morte.

A suma é: Davi tinha mais satisfação em contemplar o semblante apaziguado de Deus irradiando sobre ele do que se porventura possuísse silos cheios de grãos e adegas cheias de vinho. Ele declara que se regozijava mais no favor exclusivo de Deus do que os homens mundanos se regozijam enquanto desfrutam de todos os bens terrenos com cujo desejo geralmente se deixam inflamar. Ele os representara como tão inclinados e tão entregues à busca da prosperidade terrena que não cuidavam de pensar em Deus; e agora acrescenta que sua euforia na abundância e aumento de seu vinho e cereal não é tão profunda como sua alegria apenas na consciência da benevolência divina.

Os homens mundanos, após desprezarem a graça de Deus e mergulharem nos prazeres transitórios, vivem tão longe de se contentarem com eles, que sua própria abundância inflama ainda mais seus desejos, e assim, em meio à sua plenitude, um profundo e secreto mal estar traz desconforto às suas mentes. Portanto, jamais obteremos paz imperturbável e alegria sólida até que o favor de Deus resplandeça sobre nós. E ainda que os fiéis também aspirem e busquem o conforto terreno, todavia não o perseguem com imoderado e desordenado ardor, senão que, pacientemente, podem suportar ser privados dele, desde que tenham consciência de que são objetos do cuidado divino.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Comentário do Livro dos Salmos, Edições Paracletos.

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domingo, 16 de fevereiro de 2020

“Paz e Segurança”

“Paz e Segurança”
“Em paz me deitarei e quando juntamente dormirei, pois tu, Senhor, és o único que me faz repousar em segurança” (Sl 4.8).

Davi chega à seguinte conclusão: uma vez que é protegido pelo poder de Deus, ele desfruta de tanta segurança e tranquilidade, como se fosse defendido por todos os exércitos da terra. Ora, nós sabemos que viver livre de todo temor e do tormento e inquietação que a preocupação nos traz é uma bênção que deveria ser desejada acima de todas as demais coisas. Este versículo, portanto, é uma confirmação da frase anterior, notificando que Davi com razão prefere a alegria produzida pela luz do amor paternal de Deus de preferência a todas as demais coisas; pois a paz interior do espírito certamente excede a todas as bênçãos das quais possamos formular alguma concepção. Muitos comentaristas explicam este passo como uma expressão da esperança de Davi de que seus inimigos seriam reconciliados consigo, de modo a poder dormir com eles em paz, tendo-lhe Deus concedido o peculiar privilégio de poder descansar sem ser molestado ou inquietado por alguma pessoa. Em meu juízo, porém, o sentido correto consiste em que ele só viveria tranquilamente e em plena segurança num ambiente de um grande número de pessoas tendo Deus por seu defensor; pois nas palavras, e quando juntamente dormirei, considero a partícula quando no sentido como se a redação fosse assim: quando ao mesmo tempo, isto é, como [se estivesse] com uma multidão. Alguns tomam - único -, em referência a Deus, traduzindo as palavras assim: Tu, ó Senhor, és o único que me põe em segurança. Tal coisa, porém, de forma alguma aprovo, porque, ao afastar o contraste entre estas duas palavras, juntamente e único, perde-se muito da beleza da frase. Em suma, Davi se gloria de que só a proteção de Deus era suficiente, e que sob ela ele dome com tanta segurança, ainda que destituído de toda e qualquer proteção humana, como se ele tivesse muitos vigiando e cuidando continuamente dele, ou como se ele fosse defendido de todos os lados por um grande exército. Portanto, aprendamos de seu exemplo a render a Deus esta honra, a saber: crer que, embora pareça não haver da parte dos homens qualquer socorro, todavia, sob sua mão somente, é que somos guardados em paz e em segurança, como se estivéssemos cercados por um grande exército. 

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Comentário do Livro dos Salmos, Edições Paracletos.

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sábado, 15 de fevereiro de 2020

“Ó Deus da Minha Justiça”

“Ó Deus da Minha Justiça”
“Responde-me quando clamo, ó Deus de minha justiça; na angústia, me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve minha oração” (Sl 4.1).

À luz dessas palavras temos uma demonstração da fé de Davi que, embora enfrentasse a mais extrema angústia, e deveras quase consumido por uma longa série de calamidades, não sucumbiu à sua dor; nem se permitiu ter o coração tão enfraquecido que não tivesse forças para recorrer a Deus, seu Libertador. Por sua oração ele testificou que, quando se viu totalmente privado de todo socorro terreno, todavia restava-lhe ainda a esperança em Deus. Além do mais, ele o chama o Deus de minha justiça, significando a mesma coisa se o chamasse o Defensor de seus direitos; e apela para Deus, visto que os homens, por toda parte, o condenavam, e sua inocência era destruída pelas notícias caluniosas de seus inimigos e pelos juízos perversos do povo. E um tratamento tão cruel e injusto como esse que Davi recebia deve ser criteriosamente assinalado. Pois embora nada nos seja mais doloroso do que sermos falsamente condenados e suportar, a um e ao mesmo tempo, iníqua violência e calúnia, todavia, sermos difamados quando fazemos o bem é uma aflição que diariamente atinge os santos. E ela os faz viver tão fatigados sob seus efeitos, que os faz fugir de todas as fascinações do mundo e a depender única e totalmente de Deus. Justiça, pois, deve ser entendida, aqui, como uma boa causa, da qual Davi toma Deus por testemunha, enquanto se queixa da conduta maliciosa e injusta dos homens contra ele; e, por seu próprio exemplo, ele nos ensina que, se em qualquer tempo nossa retidão não for percebida e reconhecida pelo mundo, não devemos por isso sentir-nos desestimulados, visto que temos Alguém no céu para defender nossa causa. Mesmo os pagãos têm afirmado que não há melhor cenário para a virtude do que a própria consciência humana. Mas é uma consolação longe de ser suplantada o fato de estarmos diante da vista de Deus e dos anjos. Sabemos que Paulo era dotado com uma coragem proveniente desta fonte [1Co 4.5], pois quando muitas e más notícias foram espalhadas entre os coríntios, a respeito dele, ele apela para o tribunal de Deus. Portanto, se não podemos encontrar justiça em parte alguma do mundo, o único apoio de nossa paciência se encontra em Deus e em descansar felizes na equidade de seu juízo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Comentário do Livro dos Salmos, Edições Paracletos.

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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

“Conversai com vosso próprio coração”

“Conversai com vosso próprio coração”
“Tremei, pois, e não pequeis; conversai com vosso próprio coração em vosso leito, e sossegai” (Sl 4.4).

Davi exorta seus inimigos a que se arrependam, se porventura sua loucura não fosse totalmente irremediável. Ele lhes ordena que tremessem, palavra essa por meio da qual ele repreende sua estupidez em andar por caminho perverso, sem o mais leve temor de Deus ou sem qualquer senso de perigo.

Em seguida os admoesta a conversar com seu próprio coração, em seus leitos, isto é, ponderar profunda e lentamente sobre si mesmos e, por assim dizer, em algum lugar de total retiro; um exercício contrário à natureza de suas desregradas paixões.

A falar em seus leitos é uma forma de expressão extraída da prática comum e da experiência dos homens. Sabemos que durante nossa relação com os homens no dia-a-dia, nossos pensamentos são distraídos e às vezes julgamos precipitadamente, sendo enganados pela aparência externa; enquanto que, na solidão, podemos dar a algum assunto uma atenção mais profunda; e, ainda mais, o senso de pudor, pois, não permite que uma pessoa reflita sem que dissimule suas próprias faltas. Davi, pois, exorta seus inimigos a desvencilhar-se daqueles que eram testemunhas e juízes de suas ações no cenário da vida pública, e ao se verem a sós, que fizessem um autoexame mais veraz e honesto.

O apóstolo Paulo, ao citar esta passagem em Efésios 4.26, ou, pelo menos, ao fazer alusão ao sentimento de Davi, segue a Septuaginta: “Irai-vos e não pequeis”. E, contudo, faz uma hábil e bela aplicação da mesma ao seu propósito. Ele ali nos ensina que os homens, em vez de perversamente derramarem sua ira contra seu próximo, deviam antes, por justa causa, irar contra si próprios, a fim de que, por esse meio, venham a abster-se de pecar. E, portanto, ele lhes ordena, antes, a afligir-se interiormente e a sentir ojeriza de si próprios, e em seguida irar-se, não tanto das pessoas, e, sim, dos vícios dos outros.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Comentário do Livro dos Salmos, Edições Paracletos.

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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

“Quem nos dará a conhecer o bem?”

“Quem nos dará a conhecer o bem?”
“Há muitos que dizem: Quem nos dará a conhecer o bem? SENHOR, levanta sobre nós a luz do teu rosto. Mais alegria me puseste no coração do que a alegria deles, quando lhes há fartura de cereal e de vinho” (Sl 4.6,7).

Vemos aqui que Davi compara um só desejo que fazia arder seu próprio coração com os inumeráveis desejos com os quais quase todo o gênero humano se entretém. Como não é um princípio defendido pelos ímpios e que exerce influência sobre eles, a saber, que os únicos que podem ser verdadeira e perfeitamente felizes são os que se interessam pelo favor divino, os quais devem viver como estrangeiros e peregrinos no mundo, a fim de que pela esperança e pela paciência obtenham, no devido tempo, uma vida superior, permanecem contentes com as coisas boas que perecem; e, portanto, se porventura desfrutam de alguma prosperidade material, não se deixam influenciar por algum interesse por Deus. Consequentemente, enquanto eles, segundo o procedimento dos animais inferiores, se apegam a vários objetos, alguns de uma natureza, outros de outra, crendo encontrar neles a suprema felicidade, Davi, com boas razões, se separa deles e propõe a si mesmo uma finalidade de caráter totalmente oposto. Não quero insistir contra a interpretação que imagina Davi, aqui, se queixando de seus próprios seguidores que, percebendo que a força deles é insuficiente para suportar as necessidades que lhes sobrevinham, e, exaustos pelo aborrecimento e tristeza, entregavam-se às lamúrias e ansiosamente aspiravam sossego. Ao contrário, estou antes inclinado a estender as palavras ainda mais e encará-las no sentido em que Davi, satisfeito somente com o favor divino, protesta que desconsidera e não tem em mínima conta os objetos que outros ardentemente desejam. Tal comparação da aspiração de Davi com as aspirações do mundo ilustra muito bem esta importante doutrina, a saber, que os fiéis, formando um baixo conceito das boas coisas da presente vida, descansam tão-somente em Deus e nada têm por precioso além da experiência pessoal e consciente de seu profundo interesse pelo favor divino. Davi, pois, em primeiro lugar notifica que são insensatos todos aqueles que, aspirando desfrutar de prosperidade, não começam pela busca do favor divino; pois, ao negligenciar tal bênção, se deixam levar pelas diversas e falsas opiniões em circulação. Em segundo lugar, ele censura outros vícios, a saber, que os homens ordinários e terrenos, ao se entregarem totalmente ao bem-estar e confortos da carne, se deleitam neles, ou os tomam como o seu único desfruto nesta vida, sem ponderar em nada mais elevado. Daí também sucede que, enquanto são supridos com outras coisas segundo seu desejo, são totalmente indiferentes acerca de Deus, justamente como se não sentissem nenhuma necessidade dele. Davi, ao contrário, testifica que, embora estivesse destituído de todas as demais coisas desejáveis, o amor paternal de Deus era suficiente para compensar a perda de todas elas. Eis, portanto, o sentido de tudo: “A maioria das pessoas tentam alegremente alcançar os prazeres e as vantagens da presente vida; minha tese, porém, é que a perfeita felicidade só se pode encontrar no favor divino”.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Comentário do Livro dos Salmos, Edições Paracletos.

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sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

James Hudson Taylor (1832-1905)

James Hudson Taylor (1832–1905).
“Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos” (Ef 1.17,18). 

Hudson Taylor, missionário inglês que viveu na China por 51 anos. Foi o fundador da “China Inland Mission” (Missão no Interior da China), responsável pelo envio de mais de 800 missionários para aquele país, onde começaram 125 escolas resultando na conversão à fé cristã de 18.000 pessoas e o estabelecimento de mais de 300 estações de trabalho, contando com cerca de 500 colaboradores locais em todas as dezoito províncias.

Testemunho de Fé.

Por saber que deveria depender totalmente de Deus para o seu sustento diário na China, Hudson muitas vezes colocava-se em situações para provar sua própria fidelidade e confiança em Deus. Ele vivia basicamente se alimentando de aveia e arroz, e grande parte do seu salário ofertava para a obra do Senhor. Certo dia, quando evangelizava os pobres, um homem lhe pediu que fosse orar por sua esposa que estava morrendo em casa. Ao chegar ali, viu uma casa cheia de crianças passando fome, e a mãe que estava muito enferma. Compadecido daquela situação, depois de orar, tirou do seu bolso a única moeda que tinha, o sustento da semana, e ofereceu ao casal. Milagrosamente, naquele mesmo dia, alguém lhe procurou e trouxe um envelope cheio de dinheiro. Esta experiência ensinou a Hudson Taylor que Deus era o seu provedor. 

Hudson Taylor foi notado como um dos europeus mais influentes na China do século XIX, não só por seu trabalho evangelístico entre aquele povo, como também por sua liderança e engajamento na campanha da CIM contra o comércio do Ópio.

Frases Memoráveis.

“Confie nisso, a obra de Deus feita da maneira de Deus nunca terá falta do suprimento de Deus”. 

“A Grande Comissão não é uma opção a ser considerada, é um mandamento a ser obedecido”.

“Não são os grandes homens que transformam o mundo, mas sim os fracos e pequenos nas mãos de um grande Deus”.

Pr. José Rodrigues Filho

*Hudson Taylor, Editora Clássicos.
*Hudson Taylor Biography, Sepoangol World Ministries

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George Müller (1805-1898)

George Müller (1805-1898).
“Cantai a Deus, salmodiai o seu nome; exaltai o que cavalga sobre as nuvens. SENHOR é o seu nome, exultai diante dele. Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus em sua santa morada” (Sl 68.4,5).

George Müller foi um evangelista e missionário inglês. Homem dedicado à oração, à leitura e meditação na Palavra de Deus. Ele leu toda a Bíblia mais de 100 vezes, sendo que em muitas ocasiões o fez de joelhos. Antes de sua morte, quando perguntado por alguém o que gostaria de fazer ainda, ele respondeu: “Ler mais a Bíblia, pois conheço pouco ainda da excelência de Cristo”. 

Müller nos deixou um precioso testemunho de fé na providência de Deus, sendo exemplar na obra missionária assistindo crianças em completo desamparo. Ele construiu cinco grandes orfanatos e cuidou de mais de 10.000 crianças órfãs, motivado pelo Espírito do Senhor que diz em sua Palavra: “Deus é pai dos órfãos” (Sl 68.5).

Testemunho de Fé.

Um dos exemplos marcantes do testemunho de fé de George Müller ocorreu numa ocasião em que todos os órfãos sentaram-se à mesa para tomar o café da manhã, porém os copos e pratos estavam vazios. Não havia pão e nem leite. Nesse dia, Müller calmamente rendeu graças ao Senhor pela refeição que iriam fazer. Quando ele terminou a oração, ouviu alguém bater à porta. Era um vendedor de leite que havia quebrado a roda de sua carroça em frente ao orfanato e, para o leite não se perder, decidiu doá-lo aos órfãos. Pouco tempo depois, outro cidadão chegou ao orfanato. Era o empregado de uma padaria da cidade, ele disse que a fornada de pães daquele dia não havia saído com o aspecto que estavam acostumados. Por isso, o dono da padaria decidiu não oferecer esses pães à sua freguesia e resolveu doá-los aos órfãos.

Frases memoráveis.

"A incredulidade não dá um passo sem explicações prévias. A fé não interroga, nem calcula, simplesmente confia".

"Nem a eloquência, nem a profundidade de pensamento faz um verdadeiro grande pregador. Somente uma vida de oração e meditação fará dele um vaso pronto para o uso do Mestre e próprio para ser empregado na conversão de pecadores e na edificação dos santos".

"Procuro a vontade do Espírito de Deus por meio da sua Palavra. É essencial que o Espírito e a Palavra acompanhem um ao outro. Se eu olhar para o Espírito, sem a Palavra, fico sujeito, também, a grandes ilusões".

Pr. José Rodrigues Filho

*“Heróis da Fé” - Orlando Boyer - CPAD.

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quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Doutrina da Justificação

Doutrina da Justificação
“Aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou” (Rm 8.30).

A vocação eficaz e a justificação são ambas necessárias à salvação, e são passos essenciais na execução divina de seu próprio decreto de eleição, imutável e infalível. Todos aqueles, e somente aqueles, a quem Deus eficazmente chama, também gratuitamente justifica.

“Aqueles a quem Deus eficazmente chama, também livremente justifica; não por infundir neles a justiça, mas por perdoar seus pecados e por considerar e aceitar suas pessoas como justas; não em razão de qualquer coisa neles operada ou neles feita, mas unicamente em consideração da obra de Cristo” (CFW-XI,§I). 

Deus, como soberano, escolheu o seu povo e o deu a seu Filho na aliança da graça, e como soberano leva a efeito essa aliança quando, por imputação, faz da justiça de Cristo a justiça dos seus eleitos.

Quanto à sua natureza, essa justificação é um ato divino puramente judicial, tendo Deus como juiz, pelo qual ele perdoa todos os pecados do crente, e o julga, e o aceita, e o trata como uma pessoa justa à luz da lei divina.

“Justificação é um ato da livre graça de Deus para com os pecadores, no qual ele perdoa todos os seus pecados, aceita e considera suas pessoas como justas aos seus olhos, não por qualquer coisa neles operada ou por eles feita, mas unicamente pela perfeita obediência e plena satisfação de Cristo, a eles imputadas por Deus e recebidas só pela fé” (CMW-77). 

“Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado” (Rm 4.7,8).

Deus nos abençoe!

Pr. José Rodrigues Filho

*CFW comentada, A.A.Hodge – Editora Puritanos.

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