"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



domingo, 19 de novembro de 2023

“REGOZIJAI-VOS SEMPRE. ORAI SEM CESSAR. EM TUDO, DAI GRAÇAS”


“REGOZIJAI-VOS SEMPRE. ORAI SEM CESSAR. EM TUDO, DAI GRAÇAS”

“Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1Ts 5.16-18).

Regozijai-vos sempre. Refiro isto à moderação de espírito, quando a mente se mantém calma sob a adversidade, e não dá lugar à tristeza. Concordemente, relaciono estas três coisas entre si: regozijar-se sempre, orar sem cessar e em tudo dar graças. Pois, quando recomenda a oração constante, o apóstolo Paulo aponta o meio de se regozijar perpetuamente, porque através deste meio pedimos a Deus alívio em relação a todas as nossas aflições. De modo semelhante, em Filipenses 4.4, tendo dito: “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos. Seja a vossa moderação notória a todos. Não estejais inquietos por coisa alguma. Perto está o Senhor”, ele indica a seguir o meio para isto: “antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, com ação de graças”.

Nessa passagem, como sabemos, o apóstolo apresenta como fonte de alegria uma mente calma e serena, que não é excessivamente perturbada por injúrias ou adversidades. Mas, para que não sejamos abatidos pela aflição, tristeza, ansiedade e temor, ele nos manda descansarmos na providência de Deus. E, como frequentemente se introduzem dúvidas quanto a se Deus cuida de nós, também prescreve o remédio – que, pela oração, descarreguemos nossas ansiedades como que em seu seio, como Davi nos recomenda a fazer em Sl 37.5 e Sl 55.22; e Pedro também, conforme o seu exemplo (1Pe 5.7). Como, porém, somos excessivamente precipitados em nossos desejos, ele impõe um freio sobre eles – que, embora desejemos aquilo de que precisamos, ao mesmo tempo não deixemos de dar graças.

Paulo observa, aqui, praticamente a mesma ordem, embora em menos palavras. Pois, antes de tudo, queria que tivéssemos os benefícios de Deus em tanta estima que o reconhecimento deles e a meditação sobre eles superassem toda a tristeza. E, sem sombra de dúvida, se consideramos o que Cristo nos concedeu, não haverá amargura de tristeza tão intensa que não possa ser aliviada, e dê lugar à alegria espiritual. Pois, se esta alegria não reina em nós, o reino de Deus é ao mesmo tempo banido de nós, ou nós dele. E muito ingrato a Deus é o homem que não dê um valor tão elevado à justiça de Cristo e à esperança da vida eterna, regozijando-se em meio à tristeza. Como, porém, nossas mentes são facilmente abatidas, até que deem lugar à impaciência, devemos observar o remédio que ele prescreve logo após. Pois, ao sermos derribados e abatidos, somos novamente levantados pelas orações, porque colocamos sobre Deus o que nos sobrecarregava. Como, porém, a cada dia, sim, a cada instante, há muitas coisas que podem perturbar a nossa paz, e frustrar a nossa alegria, por esta causa ele nos manda orar sem cessar. Ação de graças, conforme disse, é acrescentada como uma limitação. Pois muitos oram de tal modo que ao mesmo tempo murmuram contra Deus, e se queixam de que ele não gratifique imediatamente seus desejos. Mas, pelo contrário, é conveniente que nossos desejos sejam refreados de tal modo que, contentes com o que nos é dado, sempre misturemos ações de graças aos nossos desejos. É verdade que podemos licitamente pedir, sim, suspirar e lamentar, mas isto deve ser de tal modo que a vontade de Deus seja mais aceitável a nós do que a nossa própria.

Pois esta é a vontade de Deus. Deus possui tal disposição para conosco em Cristo que mesmo em nossas aflições temos grande oportunidade de dar graças. Pois, o que é mais justo e mais apropriado para nos apaziguar, senão quando sabemos que Deus nos abraça em Cristo tão ternamente, que ele torna em nosso benefício e felicidade todas as coisas que nos ocorrem? Portanto, tenhamos em mente que este é um remédio especial para corrigir a nossa impaciência – desviar nossos olhos de contemplar os males presentes que nos atormentam, e direcionar nossa vista a uma consideração de natureza diferente: como Deus permanece favorável a nós em Cristo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba(PR).
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

“O AMOR QUE PROCEDE DE CORAÇÃO PURO”


“O AMOR QUE PROCEDE DE CORAÇÃO PURO”

“Mas o intuito da presente admoestação é o amor que procede de coração puro, de uma consciência íntegra, e de uma fé sem fingimento” (1Tm 1.5).

Se o objetivo e o fim da lei é que sejamos instruídos no amor que nasce da fé e de uma consciência íntegra, conclui-se, pois, que aqueles que desviam seu ensino para questões motivadas pela curiosidade são maus intérpretes da lei. Nesta passagem, não é de grande relevância se o amor é considerado como uma referência a ambas as tábuas da lei ou só a segunda. Recebemos o mandamento de amar a Deus de todo o nosso coração e ao nosso próximo como a nós mesmos, ainda que, quando o amor é mencionado na Escritura, geralmente se restrinja mais ao amor ao próximo. Neste versículo, não hesitaria em entender o amor como sendo tanto a Deus quanto ao próximo, se Paulo houvera mencionado unicamente a palavra amor. Visto, porém, que ele acrescenta a fé e uma consciência íntegra, a interpretação que estou para apresentar se adequa muito bem ao contexto em que ele está escrevendo. A suma da lei consiste em que devemos adorar a Deus com uma fé genuína e uma consciência pura, bem como devemos igualmente amar uns aos outros; e todo aquele que se desvia disso corrompe a lei de Deus, torcendo-a para servir a algum outro propósito alheio a ela mesma.

Aqui, porém, pode surgir uma dúvida, ou seja: Paulo, aparentemente, situa o amor antes da fé. Minha resposta é que aqueles que pensam assim estão se portando como infantis, pois o fato de o amor ser mencionado primeiro não significa que ele desfruta do primeiro lugar de honra, já que Paulo também deixa em evidência que ele procede da fé. Ora, a causa, indubitavelmente, tem prioridade sobre o efeito, e se todo o contexto for levado em conta, o que Paulo está dizendo é o seguinte: “A lei nos foi promulgada a fim de instruir-nos na fé, a qual é a mãe de uma consciência íntegra e de um amor genuíno”. Daí termos que começar com a fé e não com o amor.

Há pouca distinção entre coração puro e consciência íntegra. Ambos são frutos da fé. Atos 15.9 fala de um coração puro, ao dizer que “Deus purifica os corações mediante a fé”. E Pedro diz que uma consciência íntegra está fundamentada na ressurreição de Cristo (1Pe 3.21). À luz desta passagem torna-se evidente que não pode haver amor sem o temor de Deus e a integridade de consciência. Devemos notar os termos que Paulo usa para descrever cada uma dessas virtudes. Não há nada mais comum ou mais fácil do que vangloriar-se da fé e de uma consciência íntegra, porém são mui poucos os que comprovam por meio de seus atos que estão isentos de toda sombra de hipocrisia. Devemos notar especialmente como ele fala da fé sem fingimento, significando que é insincera qualquer profissão de fé que não se pode comprovar por uma consciência íntegra e manifestar-se no amor. Visto que a salvação do homem depende da fé, e a perfeita adoração divina consiste de fé e de uma consciência integra e de amor, não precisamos sentir-nos surpresos por Paulo dizer que estes elementos constituem a suma da lei.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba(PR).
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

CD Boas Palavras - Pr. Josué Rodrigues

CD Boas Palavras - Pr. Josué Rodrigues

“De boas palavras transborda o meu coração. Ao Rei consagro o que compus; a minha língua é como a pena de habilidoso escritor” (Sl 45.1)


Deus nos abençoe!

“GRAÇA A VÓS OUTROS E PAZ”


“GRAÇA A VÓS OUTROS E PAZ”

“Graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do [nosso] Senhor Jesus Cristo, o qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai, a quem seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (Gl 1.3-5).

Graça a vós e paz. Essa forma de saudação ocorre em outras epístolas. Sou da opinião de que o apóstolo Paulo deseja que os gálatas desfrutem da amizade com Deus e, com ela, de todas as boas coisas. Pois todo o gênero de prosperidade nos emana do favor de Deus. Paulo apresenta suas orações tanto a Cristo quando ao Pai, porquanto fora de Cristo não pode haver nem graça e nem qualquer bom êxito.

O apóstolo começa enaltecendo a graça de Cristo, com o fim de chamar os gálatas de volta para ele e para perseverar nele. Porque, se porventura tivessem realmente apreciado esta bênção redentiva, jamais se haveriam desviado para observâncias estranhas. Aquele que conhece a Cristo certamente se apegará a ele, o abraçará com ambos os braços, se sentirá completamente acolhido nele e nada desejará além dele. O melhor antídoto para purificar nossas mentes de qualquer gênero de erro ou superstição é guardar na lembrança o que Cristo representa para nós e o fato de que ele nos tem conduzido.

As palavras - “o qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados” - são muito importantes. O que Paulo desejava dizer aos gálatas, francamente, é que a expiação dos pecados e a perfeita justiça não devem ser buscadas em qualquer outra fonte além de Cristo. Pois ele se ofereceu ao Pai em sacrifício. E, ele foi uma oferenda tal que não devemos tentar equipará-la com quaisquer outras satisfações. Tão gloriosa é esta redenção, que devemos olhar para ela fascinados e maravilhados. Além do mais, o que Paulo aqui atribui a Cristo, em outras partes da Escritura é referido a Deus, o Pai. E tal coisa se adequa bem a ambos; pois, de um lado, o Pai, por seu eterno propósito, decretou esta expiação, e nela deu tal prova de seu amor para conosco que não poupou ao seu Unigênito Filho, mas o entregou por todos nós. E Cristo, por outro lado, se ofereceu em sacrifício para reconciliar-nos com Deus. Daqui, segue-se que sua morte é a satisfação pelos [nossos] pecados.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba(PR).
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

“APÓSTOLO, NÃO DA PARTE DE HOMENS”

 

“APÓSTOLO, NÃO DA PARTE DE HOMENS”

“Paulo, apóstolo, não da parte de homens, nem por intermédio de homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos” (Gl  1.1).

Em suas saudações, o apóstolo Paulo tinha por costume reivindicar o título de apóstolo com o fim de corroborar seu ensino com a autoridade inerente ao seu ofício. Essa autoridade depende, não do critério ou opinião de homens, mas exclusivamente da vocação divina. Devemos notar que ele diz que não fora chamado da parte de homens, nem por intermédio de homem algum. Com isso, ele não pretendia excluir inteiramente a vocação da Igreja, mas simplesmente mostrar que seu apostolado repousava numa escolha prévia e mais excelente.

Paulo também declara que os Autores de seu apostolado foram Deus o Pai e Jesus Cristo. Cristo é evocado em primeiro, porque seu papel é enviar, e o nosso é sermos embaixadores dele. Mas, para tornar a afirmação mais completa, o Pai é também mencionado, como se quisesse dizer: “Se porventura existe alguém para quem a majestade de Cristo é inteiramente insuficiente, então que o mesmo saiba que meu ofício foi também recebido de Deus o Pai”.

A sua menção da ressurreição de Cristo por Deus o Pai é pertinente a este contexto, porquanto esse é o princípio do reino de Cristo. Censuravam Paulo por ele não ter tratado com Cristo face a face enquanto ele estivera na terra. Mas o apóstolo afirma o contrário, dizendo que, assim como Cristo fora glorificado por sua ressurreição, assim também ele igualmente exerce seu poder no governo de sua Igreja. A vocação de Paulo, pois, tem ainda mais honra do que se Cristo, quando ainda era um mortal, o houvera ordenado. E este fato merece atenção. Pois Paulo insinua que seus detratores estavam de fato atacando maliciosamente o maravilhoso poder de Deus que fora demonstrado na ressurreição de Cristo. Pois o mesmo Pai celestial que ressuscitara a Cristo dentre os mortos também designara a Paulo como arauto dessa sua portentosa obra.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba(PR).
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.  

“EIS QUE VOS DIGO UM MISTÉRIO”


EIS QUE VOS DIGO UM MISTÉRIO”

“Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos” (1Co 15.50,51).

Ao chegar a este ponto, o argumento do apóstolo Paulo consistiu de duas partes. Ele demonstrou, antes de tudo, que haverá ressureição dos mortos; e, em segundo lugar, qual será a natureza da ressurreição. Mas agora ele prossegue apresentando uma descrição mais completa de como ela se dará, chamando sua descrição de mistério, visto que não havia a mesma clareza sobre esta, como no caso dos outros aspetos, na ausência, até aqui, de qualquer revelação de Deus sobre o assunto. Paulo procede assim a fim de levá-los a prestar mais atenção ao que tem a dizer. Ao fazer uso do termo “mistério”, ele está a adverti-los de que estão se tornando familiarizados com algo sobre o qual não só não sabem nada, mas também que deve ser considerado como parte dos segredos celestiais de Deus.

Nem todos dormiremos. Não há variante nos manuscritos gregos, mas há três redações diferentes no latim. A primeira é: “Na verdade todos morreremos, mas nem todos seremos transformados”. A segunda é: “Na verdade todos ressuscitaremos, mas nem todos seremos transformados”. A terceira é: “Certamente, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados”. Minha conjectura é que estas diferenças são oriundas do fato de que alguns revisores, sendo um tanto obtusos, e achando a redação genuína um tanto inconsistente, tomaram a iniciativa de substituí-la pela que entendiam se a mais provável. Porque, em face da dificuldade, parecia-lhes inconveniente que “nem todos morreremos”, quando Hebreus 9.27 afirma que “aos homens está determinado morrerem uma vez”. Portanto, o alteraram para que significasse “nem todos seremos transformados”, e ainda que “todos ressuscitaremos”, ou “todos morreremos”, e ser transformados, para eles, significa a glória que somente os filhos de Deus receberão. Porém, à luz do contexto, podemos decidir qual é a redação genuína.

O propósito de Paulo é explicar o que já havia dito, ou seja, que seremos feitos semelhantes a Cristo, porque “carne e sangue não podem herdar o reino de Deus”. Mas isto suscita a seguinte pergunta: qual, pois, será o destino daqueles que estiverem vivos quando o Dia do Senhor chegar? Paulo responde que, embora não morram, não obstante serão todos renovados, para que a mortalidade e a corrupção sejam destruídas. Notemos, porém, que ele está falando somente dos crentes; porque, ainda que haverá ressurreição, e até mesmo transformação dos incrédulos, todavia, diante do fato de que são passados em silêncio aqui, devemos entender tudo o que ficou dito como aplicando-se exclusivamente aos eleitos. Agora percebemos o quanto esta frase se ajusta à precedente, porque, havendo dito que levaremos a imagem de Cristo, ele agora esclarece que tal se dará quando formos transformados, para que o que é mortal seja absorvido pela vida, e também mostra que não se fará nenhuma diferença nesta transformação, que a vinda de Cristo alcançará alguns que ainda estarão vivos naquele tempo.

Mas ainda temos que encontrar uma solução para o problema de que “está determinado que todos os homens morram”; e de fato esta não é uma tarefa difícil. Visto que a transformação não pode acontecer sem a destruição da natureza que existia previamente, e tal transformação é corretamente considerada como uma espécie de morte; porém, visto que não há separação entre a alma e corpo, esta não deve ser imaginada como sendo uma morte ordinária. Será morte no sentido em que nossa natureza corruptível será destruída; não será adormecimento, visto que a alma não se separará do corpo; mas haverá uma súbita transição de nossa natureza corruptível para a bem-aventurada imortalidade.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba(PR).
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.  

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

“CONSIDERAI-VOS MORTOS PARA O PECADO”


“CONSIDERAI-VOS MORTOS PARA O PECADO”

“Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus” (Rm 6.11).

O apóstolo Paulo agora adiciona a definição de sua analogia. Ele aplica as duas afirmações concernentes ao fato de Cristo morrer para o pecado uma vez por todas e viver eternamente para Deus (v.10), e nos instrui em como devemos agora morrer enquanto vivemos, ou seja: pela renúncia do pecado. Entretanto, ele não omite a outra parte da analogia, isto é, como vamos viver depois de termos uma vez para sempre abraçado a graça de Cristo mediante a fé. Embora a mortificação de nossa carne esteja apenas começando em nós, todavia a vida de pecado está destruída por este mesmo expediente, de modo que a nossa renovação espiritual, a qual é de caráter divino, venha a continuar para sempre. Se Cristo por fim não destruísse o pecado em nós, então sua graça seria carente de estabilidade e continuidade.

Portanto, o significado desta passagem é o seguinte: “Eis a posição que deves assumir, em teu caso: Assim como Cristo, uma vez por todas, morreu para destruir o pecado, também deves morrer uma vez por todas a fim de que, no futuro, cesses de pecar. De fato, deves progredir diariamente na mortificação de tua carne, a qual já teve início em ti, até que o pecado seja de vez erradicado. Assim como Cristo ressuscitou para uma vida incorruptível, também deves ser regenerado pela graça de Deus, a fim de seres guiado por toda a tua vida em santidade e justiça, visto que o poder do Espírito Santo, por meio do qual foste renovado, é eterno, e florescerá para sempre”.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba(PR).
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.  


quarta-feira, 18 de outubro de 2023

“QUANTO A VIVER, VIVE PARA DEUS”


“QUANTO A VIVER, VIVE PARA DEUS”

“Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus” (Rm 6.10).

Quer leiamos com Deus ou em Deus, o sentido permanece o mesmo. O apóstolo Paulo está mostrando que Cristo agora possui, no reino imortal e incorruptível de Deus, uma vida não mais sujeita à mortalidade. Um tipo desta vida imortal evidencia-se na regeneração dos piedosos. Devemos reter em nossa mente, aqui, a palavra semelhança. Paulo não diz que vivemos no céu, como Cristo vive, mas ele faz com que a nova vida que vivemos na terra, em consequência de nossa regeneração, seja igual à sua vida celestial. Sua afirmação de que morremos para o pecado em consequência do exemplo de Cristo, não significa que nossa morte seja exatamente como a dele, pois morremos para o pecado quando o pecado morre em nós. No caso de Cristo, existe uma diferença, pois foi através de sua morte que ele destruiu o pecado. O apóstolo declarou anteriormente que cremos que seremos participantes da vida de Cristo (v.8). A palavra crer claramente mostra que ele está falando da graça de Cristo. Estivesse ele apenas nos advertindo em relação ao nosso dever, então terá expressado assim: “Visto que morremos com Cristo, devemos, então, viver uma vida semelhante à dele”. O verbo crer denota que o apóstolo está aqui tratando da doutrina da , que é encontrada nas promessas, como se dissesse: “Os crentes devem estar seguros de que sua mortificação na carne, através dos benefícios de Cristo, é tal que ele mesmo manterá a novidade de vida deles até ao fim”. O tempo futuro do verbo viver não se refere à ressurreição final, mas simplesmente denota o curso contínuo de nossa vida em Cristo, enquanto formos peregrinos na terra.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba(PR).
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.  

"PARA SEMPRE MORREU PARA O PECADO”


“PARA SEMPRE MORREU PARA O PECADO”

“Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus” (Rm 6.10).

O apóstolo Paulo afirmara que, em consequência do exemplo de Cristo, ficamos para sempre livres do jugo da morte (2Tm 1.10). Ele agora aplica sua afirmação, declarando que não estamos mais sujeitos à tirania do pecado. Ele prova isto a partir da causa final da morte de Cristo, pois ele morreu com o fim de destruir o pecado. Devemos notar também a referência a Cristo nesta forma de expressão. Paulo não afirma estar morto para o pecado com o propósito de não mais cometê-lo - como diríamos em nosso próprio caso -, mas porque ele morreu em relação ao pecado, de modo que, ao constituir-se um resgate, ele aniquilou o poder do pecado. O apóstolo diz que Cristo morreu uma única vez [Hb 10.14], não só porque tenha ele santificado os crentes para sempre pela redenção eterna que conquistou por sua única oferta, e porque consumou a purificação dos pecados deles por meio de seu sangue, mas também com o propósito de estabelecer a semelhança comum entre nós e o Redentor. Ainda que a morte espiritual faça contínuo progresso dentro de nós, todavia pode-se propriamente dizer que morremos uma vez, a saber: quando Cristo nos reconcilia com seu Pai por meio de seu sangue, e também nos regenera concomitantemente pelo poder de seu Espírito,

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba(PR).
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.